Como avaliar um celular usado antes de comprar
Cinco minutos de teste antes de pagar evitam meses de aparelho parado na gaveta. Este é o roteiro na ordem em que eu faria — do que descarta a compra na hora até o detalhe fino.
1. IMEI, antes de qualquer coisa
Disque *#06# para ver o IMEI e confira se bate com o que está na caixa e na
bandeja do chip. Consulte se há restrição, bloqueio ou registro de roubo.
Aparelho com IMEI bloqueado não vira negócio: não conecta em rede e não tem conserto. Se der qualquer sinal aqui, encerre a conversa.
2. Conta vinculada
iCloud no iPhone e conta Google no Android. Se estiver vinculada, o aparelho vira peça.
O jeito certo: peça para o vendedor remover a conta na sua frente e restaurar o aparelho ali. Promessa de "removo depois" é o golpe mais comum da revenda.
3. Sinais de água
Todo aparelho tem indicador interno que muda de cor com contato com líquido. Nos iPhones fica visível na bandeja do chip. Nos Android, varia por modelo.
Aparelho que tomou água pode funcionar hoje e falhar em três semanas, com a corrosão avançando. É o defeito que mais volta depois da venda.
4. Tela
- Fundo branco revela manchas, pontos e áreas escuras
- Fundo preto revela pixel aceso e vazamento de luz
- Passe o dedo por toda a borda testando o touch — falha de borda é comum em tela trocada
- Compare a cor com a de um aparelho original do mesmo modelo
Tela já trocada não é problema em si, mas muda o valor — e você precisa saber para precificar.
5. Bateria
Verifique a saúde da bateria no menu do sistema. Abaixo de 80% costuma pedir troca, e isso entra no seu custo.
Desconfie de saúde em 100% num aparelho de três anos: pode ser bateria paralela com chip adulterado, que reporta valor falso.
6. Câmeras e sensores
Teste todas as câmeras, foco, flash e gravação. Depois: sensor de proximidade (a tela precisa apagar na ligação), giroscópio, GPS, biometria e Face ID.
Face ID com defeito no iPhone é reparo caro e muitas vezes inviável — vale testar sempre.
7. Conectividade
Coloque um chip e faça uma ligação de verdade. Teste Wi-Fi, Bluetooth e a leitura do cartão de memória, se o modelo tiver.
Teste também o carregamento, com cabo e sem fio se houver. Conector de carga é reparo barato, mas precisa entrar na conta.
8. Parte física
Parafusos com marca de chave indicam que já foi aberto. Tampa mal encaixada, vinco na carcaça e cola aparente contam a história do aparelho — e o vendedor nem sempre conta.
O teste final: o preço
Com tudo checado, some o que vai gastar para deixar em estado de venda e compare com o preço de mercado do modelo. Se a diferença não deixar margem para o seu tempo e para o risco, não é negócio — por mais barato que pareça.
Aparelho barato que não dá margem é dinheiro parado, não oportunidade.
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